domingo, 23 de abril de 2017

5.000 publicações


Este blogue atingiu o belo número de 5.000 publicações!

Muito obrigado a todos que por aqui vão passando!

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXIV) - Cascata do Arado


Esta é mais uma das paisagens icónicas do Parque Nacional da Peneda-Gerês e talvez uma das quedas de água mais fotografadas em Portugal, a Cascata do Arado.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 22 de abril de 2017

Vale de Teixeira - o mesmo local, duas paisagens


O mesmo local dá-nos duas paisagens magníficas separadas por dois meses.

A fotografia em cima foi obtida a 22 de Abril de 2017, enquanto que a fotografia em baixo foi obtida a 10 de Fevereiro de 2017.


Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

"Vento forte dificulta trabalho dos bombeiros no parque Peneda Gerês"


O vento "muito forte", os "declives acentuados" e os "difíceis acessos" estão a dificultar o combate ao incêndio que lavra desde as 22:00 de quarta-feira na Peneda Gerês, disse hoje o responsável da proteção civil de Ponte da Barca.

Notícia RTP para ler aqui.

VII Encontro com Histórias Centenárias


A realizar no dia 6 de Maio de 2017, venha conhecer as histórias dos vezeireiros da Serra do Gerês.

Programa das VI Jornadas galaico-portuguesas de Pitões das Júnias


Este é o programa das  VI Jornadas galaico-portuguesas de Pitões das Júnias...

Sábado 13 de Maio

1º Painel: Apresenta Maria Dovigo

10:00: Apresentação

10:30: Íria-Friné Ribera: "Celtismo: o amanhecer da estética moderna galega"

11:30: Joam Evans: "Ogham: apontamentos sobre uma escrita galaica"

12:30: Francesco Benozzo: Apresentação do livro “Speaking Australopithecus. A new theory on the origins of the human languages” (Francesco Benozzo & Marcel Otte)

13:30: Comida

2º Painel: Apresenta Maria Dovigo

16:30: Joaquim Palma Pinto: “Ética Espiritual Celta: valores intemporais para tempos atuais”

17:30: Mesa redonda: “A utilidade do Celtismo na Galiza e Norte de Portugal”

20:00: Música: Francesco Benozzo. "Uma viagem atlântica. Música desde as fronteiras célticas"
(voz, harpa céltica e harpa bárdica).

22:00: Churrascada popular

Domingo 14 de Maio

10:00: Visita à aldeia desabitada de Juris (Castro habitado até a bem entrada a Idade Média) e ao Carvalhal de Porto da Laja (Antigo nemetão céltico).

13:00: Clausura

14:00: Comida de Irmandade

História do volfrâmio de Carris a Borrageiros


Venha ouvir pela tarde do dia 30 de Abril, Ulisses Pereira e o Povo de Cabril com os fabulosos contos históricos que nos transportarão numa inesquecível jornada pela ancestral memória lendária destes locais únicos quase perdidos por esse mesmo tempo.

O evento terá lugar mo Pólo do EcoMuseu de barroso em Fafião.


Estão abertos os concursos para recuperar matas icónicas do Parque Nacional da Peneda-Gerês


No dia 17 de Abril foram lançados os concursos para recuperar algumas das matas mais icónicas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, afectadas pelo fogo, anunciou ontem o ministro do Ambiente. Estas acções inserem-se no Plano Piloto para aquela área protegida, que prevê um financiamento de 8,6 milhões de euros.

Mais informação aqui.

Seminário 'Loving the Planet' em Pincães


Terá lugar na aldeia de Pincães o seminário 'Loving the Planet' no dia 22 de Abril.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXII) - Lagoa


O reflexo tremulo do topo de Borrageiros nas águas frias de Lagoa, Serra do Gerês. A neve cobre os pontos mais elevados da montanha a 21 de Fevereiro de 2009.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 18 de abril de 2017

As pontes de Vilarinho da Furna


Esta é uma transcrição de parte de um texto de Manuel de Azevedo Antunes publicado na sua obra "Vilarinho da Furna - Memórias do passado e do futuro" (Junho de 2005)...

Além de algumas pontes de madeira, havia, em Vilarinho, várias pontes em pedra granítica, bem típica da região:

- A Ponte do Eido, assim chamada por unir as duas partes do lugar ("eido"), separadas pelo Ribeiro de Furnas, com três arcos de diferentes dimensões;

- A Ponte do Couço, comum só arco ligeiramente ogival, lançado sobre um profundo poço do Rio Homem, no caminho que de Vilarinho subia até ao Campo do Gerês, e que foi desmontada, antes do tapamento da barragem, para um dia ser reconstruída;

- E, um pouco mais a montante, a Ponte Nova, formada por dois arcos muito desiguais.

Todas estas pontes já existiam, pelo menos, em meados do Século XVIII, embora se possam levantar algumas dúvidas quanto à Ponte Nova. DE facto, em As Memórias Paroquiais de 1758, pode ler-se: "No sítio desta freguesia se acham coatro pontes todas no rio Homem a saber: junto ao lugar de Vilarinho de Furnas a ponte do Couço feita de cantaria; na Cham de Linhares outra chamada Ponte de Cham, junto ao extremo de Galiza huma de pao chamada Alvergaria. Nest sítio estava em algum tempo huma de pedra, obra dos Romanos que foi demolida com as outras três, como já se dice. Tem mais sim outra de pao também junto ao dito estermo chamada ponte da Portela e no lugar de Vilarinho tem outra de pedra que há poucos anos foi obrada pela quoal passa o rio de Furnas".

O autor do livro pode ser contactado via email.

Fotografia © Monumentos Desaparecidos (Todos os direitos reservados)

VI Jornadas Galaico-Portuguesas de Pitões das Júnias


Terão lugar a 13 e 14 de Maio de 2017, as VI Jornadas Galaico-Portuguesas de Pitões das Júnias.

O programa destas jornadas será divulgado em breve.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

"O «Chamado»" (II)


O estudo das velhas obras sobre a Serra do Gerês, dá-nos acesso a velhos topónimos que hoje caíram no esquecimento. Tal aconteceu com este texto ao surgir a referência à 'Quelha dos Olhos Caveiros'. 

O texto a seguir é a transcrição da segunda parte do quarto capítulo do livro "No Gerez - a Natureza e o Homem", de Sousa Costa (1934)... Foi mantida a grafia original da obra.

Dos seus costumes colectivos tive ocasião de observar, num dos dias de passagem pelas termas do Gerez, e das minhas excursões serranas, o «chamado» do «vezeireiro», o «chamado» convocando o «acôrdo» por perigo urgente para os interêsses de vizinho e do lugar.

Nêsse dia, dos lados do Cabril, com os seus mil e quinhentos metros de altitude, ouço o som prolongado da buzina - que repercute por cêrros e recôncavos, que se estende, para além do Cabril e do Pé de Medéla.

Em baixo, em S. João do Campo, entre veigas frescas que os caudais da serra fartam de águas limpidas, a murmurar, sente-se a agitação de parque de guerra em alvorôço.

Os seis membros do «acôrdo», com o juíz e o procurador, largando o cabo da enxada, correm do adro da capela. E mãos enconchadas nos ouvidos, respiração suspensa, olhar fixo, ficam por instantes à escuta. Reboa no espaço novo sinal de alarme.

- Vem das Mêsas! - diz o juíz.

De facto, daí a pouco, dos cimos das Mêsas, cabeços debruados de despenhadeiros, com precipícios agrestes que escutam perpètuamente o rugir das cachoeiras do Homem, uma voz sumida, longínqua, substitui o roncar da buzina, a bradar:

- Vaca caída! - acentuando, distendendo as sílabas em prolongação cavernosa. E continua, mais espaçada: - Quélha...dos...Olhos...Cávei...ei...ros!

Os do acoôrdo» e o juíz entreolham-se, num arrepio. Na Quelha dos Olhos Caveiros! Lá morrera o animal! Porque a morte era certa. A vaca tinha dado a alma aos fraguedos que lhe desconjuntaram os ossos. E enquanto a voz do «vezeireiro», lá do alto, torna a rogar socorro, êles, lestos, o juíz à frente, para levantar o povo, o procurador atrás, para ordenar providências, seguem em direcção às veigas, onde homens, mulheres e crianças, tendo abandonado o trabalho, esperam ordens de quem manda.

- Às Mêsas! - grita o juíz, agitando o chapéu.

- Cordas, enxadas, foices! - intima o procurador, dum outeiro com domínio sôbre os campos de sabôr idílico, cobertos de linho e milharais,

E daí a nada, todo o povoado, porque a vaca é como se fôsse de todos, arripia caminho para as Mêsas, êste por um contraforte da montanha, aquele por um refrego mais suave, cada um com o seu utensílio, us e outros com o seu esfôrço solidário.

O que fôra, afinal? Uma vaca, que da eminência dum cêrro tombara em fundo barranco. O caso é frequente. A manada, bois e vacas, com as suas crias, percorrem os sítios mais perigosos, onde a herva cresce acolhedora, onde a água canta e sorri. O «vezeireiro» conhece a serra e as suas obrigações. Conduz o gado através de carreiros abertos de ano para ano. Reune-o à noite no mesmo curral. Vigia o lobo, não lhe sangre de surpresa alguma rez tresmalhada - pois a perda da rez cairá implacável sôbre a arca das suas economias individuais. Mas o que não pode, a-pesar-de extremos cuidados, é evitar que um animal se desequilibre, perca o pé, e zás, e role como penedo sôbre a aresta dos penedos arreganhados, à maneira de dentes, na bôca dos abismos.

A buzina calara-se. O «vezeireiro» emudecera. Pelos declives, quebrando o silêncio autero da serrania, ouve-se apenas, aqui em assobio, além o bater de enxada, mais abaixo o cascalhar de tamancos. Quando os primeiros homens ganham a assomada donde partira o «chamado», o «vezeireiro» faz novo sinal - agora para indicar os fraguedos e o precipicio em que a coitada se estatelara.

Chegam, o juíz com a sua enxada, o procurador com as suas cordas, uma mulher com a sua foice, um rapaz com o seu cajado. E estranhos à beleza estática que os envolve, sob o azul puríssimo em que o sol fulgura, tendo aos lados, à esquerda e à direita, as esculturas pacíficas da manada - estátuas de ouro em pedestais de granito bronzeado, indiferentes à agonia suma das da sua raça - quedam-se um momento para voltar a descer. E então descem, um a um, de pedra em pedra, de saliência em saliência, a agarrarem-se aos tojos, a pendurarem-se das raízes, a cortarem silvedos, até se aproximarem da vaca, à volta da qual fazem roda, lamentando-a pelo sangue que lhe corre da bôca, pela língua retalhada entre os dentes, pelos olhos de fora, pela agonia mansa, no leve resfolgar da fadiga,

Depois, em obediência às ordenações do costume, verificando que está morta, tiram-lhe a pele com os instrumentos cortantes que se haviam munido. Esquartejam-na. Dividem-na em lotes. Transportam-na para o lugar. Ali, pesada nos arrestéis, é distribuída pelos vizinhos - pagando o arratel a um escudo, agora que tudo subiu de preço, porque dantes não custava senão três vinténs. E assim, com o auxílio de todos, sendo partilhado por todos o prejuízo dum, êste fica apto a substituir a cava na feira próxima do Penedo ou de Vieira.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)