quinta-feira, 24 de maio de 2018

Perante mim...


Sou a derradeira ruína resistindo para lá do final dos tempos
Para lá da luz que se reduz na efémera incandescência do passado
O último pensamento antes do fechar dos olhos
Definem-te como traços vazios numa tela deserta
Anseio a companhia eterna da noite
Com o som das estrelas e o agitar das sombras
São elas que fazem uma erótica dança
Por entre o crepitar dos sonhos e a companhia dos lobos
Adormeço com um ósculo diabólico
Evoco os deuses pagãos do passado
Sou seu servo de peito rasgado
Senhores das trevas e reis do gelo
Que governam a minha alma invernal
Ausência
Assombro
Assombro aos limites do abismo que se abre à primeira luz da alvorada
Montanhas que rasgam os céus e vales profundos num infinito de silêncio
O alfa e o ómega do princípio e do fim
Perante mim, o nada
Perante mim, o vazio
Perante mim... o fim!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Como um manto de linho


Deitado no leito do meu mundo dos sonhos
Enquantos os olhos se fecham
E a luz se esvai nas sombras
Sinto o teu toque e o som do teu respirar
É o sítio onde as nuves se encontram
Os dias que passam
São os ecos de palavras
Quentes como o Sol do Verão
Sacudo o pó das sombras das memórias que me atormentam nas noites escuras e nos longos Invernos
Recordo o som da voz e o olhar que uma noite me chamou
Sombras que vagueiam solitárias por entre os ramos retorcidos da existência
E eu fito-a do alto de um velho castelo
Arruinado pelo cansaço da turbidez e a amargura do balancear das ondas
O som destas que revolteiam
Talvez serenas nas margens do lago
Profundo
Escuro
A espuma da saudade
Que me cobre como um manto de linho

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 20 de maio de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCXL) - Fronteira da Portela do Homem / Portela do Home


A passagem entre dois países nunca deverá ser uma barreira entre a nacionalidade Portuguesa e Galega.

O antigo edifício da Guarda Fiscal da fronteira da Portela do Homem e a ausência da estátua de homenagem ao emigrante há muito sonegada do seu pedestal. O duplo arco-íris assinala o final de tarde de chuva na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Exposição de postais antigos do Gerês "Memórias do Gerez"


No dia 2 de Junho será inaugurada uma exposição de postais antigos do Gerês intitulada "Memórias do Gerez". A inauguração terá lugar às 21h30.

A exposição estará patente entre 2 e 28 de Junho no EcoMuseu de Barroso, Polo de Fafião 'Vezeira e a Serra'.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCXXXIX) - "Sou luz que se expande"


"Sou luz que se expande."

Fernando Ribeiro, Moonspell

O dia nasce visto desde as Minas dos Carris, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Programa das VII Jornadas Galego-Portuguesas de Pitões das Júnias


Aqui está o programa das VII Jornadas Galego-Portuguesas de Pitões das Júnias que irão decorrer a 26 e 27 de Maio de 2018.

6 de Maio

1º Painel de manhã: (Apresenta Maria Dovigo)

10:00 Apresentação

10:30 Marcial Tenreiro: Mouras, Melusinas, Deusas: Algumas supervivências do mito no folclore

11:15 Luisa Borges (Tradição Druídica Lusitana): Para uma arqueologia poética da Finisterra galaico-portuguesa.

12:00 Debate

13:30 Comida

2º Painel de Tarde (Apresenta Maria Dovigo)

16:00: Manuel Dias Regueiro. Identidade genética atlântica e doenças típicas dos celtas

16:45: Exposição Fotos do José Goris: “Gallaecia: um passado mágico”

17:30 Debate

3º Painel Tarde de Sábado (Apresenta Maria Dovigo)

19:30 Apresentação das Atas das IV, V e VI Jornadas

20:00 Música celta: Grupo Ama Fai Falta de Chaves

20:30 Churrascada

Domingo 27 de Maio

10:30: Visita às Mamoas do Planalto da Mourela

13:00: Comida

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Outras concessões mineiras em 1945


A 5 de Junho de 1944 após fortes pressões por parte de Grã-Bretanha, mas com a oposição inicial de Oliveira de Salazar, é decretado um embargo à venda de volfrâmio à Alemanha após um acordo com Londres e Washington.

Tendo em conta que muitas das concessões mineiras se encontravam de facto nas mãos da Alemanha através de empresas fachada nacionais, a situação económica destas companhias tornava-se complicada. Havendo representantes do Eixo nas Minas dos Carris, estes terão abandonado as concessões nesta altura.

No entanto, novas concessões são atribuídas à Sociedade Mineiras dos Castelos, concessionárias das minas na zona de Carris, a 11 de Julho tais como a concessão da Matança n.º 1, Cabril, (registo n.º 88 a 3 de Abril de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre - Processo 1:468-M); Lamas de Homem n.º 1, Vilar da Veiga, (registo n.º 60 a 23 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Terras de Bouro – Processo 1:468-B); Matança, Cabril, (registo n.º 10 a 10 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:470-M); Abrótegas, Vilar da Veiga, (registo n.º 59 a 23 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Terras de Bouro – Processo 1:471-B); Lamas de Homem n.º 3, Vilar da Veiga, (registo n.º 121 na 23 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Terras de Bouro – Processo 1:472-B); Coucelinho n.º 1, Cabril, (registo n.º 36 a 22 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:473-M); e Laijão, Cabril, (registo n.º 9 a 10 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:474-M) . Novos éditos de concessão são atribuídos a 28 de Julho para as minas de molibdénio de Xertelo III, Cabril, (registo n.º 95 a 3 de Abril de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:474-M); Xertelo I, Cabril, (registo n.º 22 a 10 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:475-M); Cadeiró, Cabril, (registo n.º 21 a 10 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:476-M); Peito do Galo, Cabril, (registo n.º 19 a 10 de Março de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:477-M); e Peito do Galo I, Cabril, (registo n.º 102 a 3 de Abril de 1943 na Câmara Municipal de Montalegre – Processo 1:478-M).

Texto adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Citação


"O meu coração permanecerá onde o meu corpo nunca mais poderá voltar."

John Forbes.

Fotografia © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Ir


Silêncio...
A visão que se espalha por entre a solidão
Paredes frias e nuas de sentimentos
Caído no chão frio como um animal ferido
...que respira as suas últimas memórias.
Sou uma sombra que se esconde por detrás da luz
O último raio de Sol que banha a imensidão dos espaços
Transcendo a solidão e torno-me num nada, absoluto!
Sou...
...o último beijo.
Que se esvai por entre as nuvens que correm ao som do uivo do lobo
Solitário
Vivendo em turpor
Existindo apenas.
Vazio
Sozinho
O medo
E a saudade que me afoga num turbilhão de sentimentos
Ir ou ficar...
Ouço o sussurrar das tuas palavras envoltas num profundo silêncio
E o olhar que se esvai no limbo dos sonhos
A luz que escurece a existência envolta em neblina
A mágoa da tua ausência
A esperança e o sonho
Ir para nunca mais voltar...

Fotografia © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CCXXXVIII) - Serra Amarela e Serra do Gerês


A albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas (1, 2) separando a Serra Amarela da Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

domingo, 13 de maio de 2018

Trilhos seculares - Até Gemesura e depois Germil


Com o céu em tons plumbeos, percorreu-se as paisagens graníticas da Serra Amarela fazendo jus ao seu nome. Por entre farrapos de nevoeiro e uma chuva miudinha que durante alguns minutos foi acompanhando a jornada, andou-se pelos trilhos de Rogélio Pardo na sua paixão por Alda.

Iniciou-se o percurso junto ao paredão da Barragem de Vilarinho das Furnas recordando os finados do combatente republicano que no romance de André Gago encontrou refúgio naquela aldeia minhota encravada entre a Serra Amarela e a Serra do Gerês nas margens do Rio Homem.






À medida que as penas iam vencendo o declive, o grande manto de água ia-se afundando na paisagem e os píncaros graníticos do Gerês e da Amarela iam tentando rasgar o véu cinzento que ia insistindo em toldar os cenários que se transfiguravam...

Serra!
e qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
e alma.


Este é o território do lobo e das memórias que sobem e descem o Peito de Gemesura. Ao longe e lá no fundo, parece que escutamos os lamentos das ruínas submersas. Observar aquelas paragens desde Gemesura é atestar a imensidão dos espaços e a profundidade do silêncio que nos envolve como um manto húmido que se nos agarra à pele.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bicho a picar estrelas verdadeiras...

Miguel Torga, Diário II


Um pouco depois de Gemsura, onde o vento era já dolorosamente frio, o nevoeiro turvou ainda mais a paisagem. Falhou-se a passagem pelas Casarotas ao se seguir por Mata Porcos e depois por Castelinho, iniciando a baixada para os altos de Cutelo através de Carvalhinhos. A jornada terminaria uns quilómetros mais adiante em Germil no Abrigo Pé d'Rios.

Mais uma vez se atesta que a GR34 - Grande Rota da Serra Amarela continua a apresentar deficiências nas suas marcações e discordância entre os dados de geoposicionamento disponíveis e as marcações no terreno. É já mais do que tempo para que estas correcções, que em tempos foram já apresentadas, fossem implementadas.

Algumas fotos do dia...




















Fotografia © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Dia Internacional dos Museus - Visita a Pitões das Júnias


No próximo dia 18 comemora-se o "Dia Internacional dos Museus" com o tema "Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos". Neste âmbito, o Ecomuseu de Barroso, em parceria com o Centro UNESCO Biodiversidade e Tradição, como vem sendo habitual, apresenta uma actividade para todos os interessados: uma visita ao Centro Interpretativo do Planalto da Mourela, em Pitões das Júnias.