quinta-feira, 25 de maio de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXX) - Conho


O Prado do Conho é uma visita quase obrigatório na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Os trabalhos mineiros no Castanheiro (II)


O reconhecimento da mina do Castanheiro só seria executado em 1946, já com a Sociedade regida por uma Comissão Liquidatária nomeada pelo Governo, e com o respectivo relatório a ser escrito a 12 de Novembro de 1946. Na altura o estradão de acesso à mina do Salto do Lobo estava já consolidado através do Vale do Alto Homem, sendo por essa razão que o relatório refere que “um caminho de pé posto de cerca de 4 km põe esta mina em comunicação com as instalações da mina ‘Salto do Lobo’, onde chega um estradão construído pela requerente, que liga com a Portela do Homem, a 9 km daquela mina.” O relatório continua referindo que o jazigo ficava “encravado na mancha granítica do Norte do país e é constituído por um filão quartzoso, vertical com a direcção média Norte – 70º – Nascente e com uma possança média de 0,15 mineralizado pela volframite. Além deste existem vários filetes de diferentes direcções, mas ainda insuficientemente reconhecidos.” 

(A imagem em cima mostra os primeiros acampamentos mineiros na zona dos Carris antes da construção dos edifícios mineiros)

Em relação aos trabalhos já realizados, descreve-os referindo que “constaram de quatro sanjas e de duas pequenas galerias em direcção, que permitiram reconhecer a regular mineralização e mostrar que a mina ‘Castanheiro’ tem valor para poder ser objecto de concessão.” A demarcação da mina seria feita no mesmo dia da data do seu auto de reconhecimento e seria executada pelo Agente Técnico de Engenharia de Minas Adelino dos Santos Lemos da Circunscrição Mineira do Norte. Ainda na mesma data surge a informação sobre um pedido de reclamação efectuado contra este pedido de demarcação por parte da Sociedade Mineira dos Castelos e feito peça Sociedade Mineira de Cadeiró, Lda. baseando-se na alegação de que estava em posse de um pedido de demarcação denominado ‘Carris de Cima’ e que era baseado em registo mais antigo. A reclamação não foi atendida por parte da Circunscrição Mineira pois o referido pedido já havia sido anulado.

O alvará de concessão provisória 4045 será redigido a 9 de Janeiro de 1948 e seria publicado no Diário do Governo a 11 de Fevereiro desse ano, sendo concedido por um período de três anos. Uma nova demarcação da mina seria feita no princípio dos anos 50.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

"Gerês já tem “marca geográfica”. E pretende-se que funcione como “selo de garantia”"


Notícia pode ser lida aqui.

O Gerês já tem uma marca, um logótipo que apresenta um coração “abraçado” por uma mancha verde e outra azul e que se pretende assumir como uma espécie de “selo de garantia” do turismo em Terras de Bouro.

Fotografia: 24.sapo.pt

Os trabalhos mineiros no Castanheiro (I)


Para além das três concessões na proximidade dos Carris, a Sociedade Mineira dos Castelos pretende iniciar também a exploração da concessão do Castanheiro localizada a cerca de 4 km a Sudoeste das concessões principais.

No plano de lavra datado de 3 de Julho de 1943 e elaborado por Francisco da Silva Pinto, Director Técnico da concessão, é referido que a concessão se situa nos limites do lugar de Lapela, freguesia de Cabril, e que o ponto de partida para a sua demarcação é o centro geométrico de uma casa denominada ‘Casa da Cabana’ localizada no sítio do Castanheiro, estando o ponto de partida devidamente ligado à rede geral de triangulação nacional por intermédio das pirâmides geodésicas de Lamas, Cerdeira e S. Bento. Tal como acontece nos altos serranos, a topografia do local é bastante acidentada com terrenos baldios, sem culturas e não apresentando aspectos especiais ao nível da geologia. Na área estava reconhecido um único filão volframítico, mas supunha-se poder ocorrer o aparecimento de mais filões pois as características dos filões já reconhecidos noutras concessões apontavam sempre para a presença de vários filões paralelos semelhantes ao que havia sido reconhecido.

O filão do Castanheiro apresentava-se em veios de quartzo com impregnações de volframite, pirites e óxidos de ferro, tendo uma direcção geral de Nordeste e inclinação vertical. A sua possança era variável, apresentando-se em bolçadas mais ou menos extensas com uma possança média de 0,20. Na altura da apresentação do plano de lavra, o filão estava reconhecido em cerca 350 metros não havendo na altura reconhecimento de aluviões por não terem sido realizados trabalhos de reconhecimento com esse intuito.

Tal como aconteceu com várias concessões, os trabalhos realizados na mina do Castanheiro constavam de uma série de sanjas ao longo do filão com uma profundidade média de 5 metros e com uma largura de 2 metros. Estes trabalhos haviam sido realizados pelo proprietário anterior que haviam sido suspensos, estando na altura a Sociedade a proceder a trabalhos de entivação e aterro de modo que os trabalhos pudessem ser executados “segundo as regras da arte de minas.” O plano de lavra previa a divisão do filão em maciços de desmonte que seriam limitados por galerias e chaminés segundo o filão. Para a obtenção do maior número de frentes de trabalho, estava prevista a abertura de galerias em direcção aos níveis 1060 m, 1080 m, 1100 m e 1120 m. As galerias dos 1060 e 1100 eram consideradas de circulação e extracção e teriam secções trapezoidais com base de 2,00 X 1,50 metros e altura de 2,00 metros, sendo as restantes também em secção trapezoidal com base de 1,50 X 1,20 e altura de 1,80 metros. As chaminés teriam 1,00 X 1,00 metros de secção. As galerias e chaminés seriam protegidas por paredes e pilares naturais que não seriam desmontados. Os desmontes seriam sempre feitos de baixo para cima pelo sistema de degraus investidos, tal como era utilizado na concessão do Salto do Lobo, e só seriam iniciados quando houvesse 3 a 4 maciços definidos, isto é, haveria sempre pelo menos um maciço pronto para desmontar entre o avanço da mina e os trabalhos de desmonte. A extracção e circulação seriam feitas pelas galerias em direcção e sempre pelo nível inferior. O sistema de traçagem apresentado seria suficiente para proporcionar uma boa ventilação da mina e o esgoto seria feito através das galerias.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Paisagem da Peneda-Gerês (CLXXIX) - Sra. da Peneda


O Santuário de Nossa Senhora da Peneda está situado na Serra da Peneda, freguesia de Gavieira, Arcos de Valdevez.

O Santuário de Nossa Senhora da Peneda, a caminho da vila de Melgaço, tem como data provável de inicio da sua construção, finais do século XVIII, a julgar pela data inscrita na coluna existente ao cimo da escadaria de acesso. Acredita-se que neste local tenha existido uma pequena ermida construída para lembrar a aparição da Senhora da Peneda, cujo culto foi crescendo e motivou a construção do santuário. Este lugar de culto é constituído pelo designado, escadório das virtudes, com estatuária que representa a Fé, Esperança, Caridade e Glória, datada de 1854, a igreja principal, terminada em 1875, o grande terreiro, o terreiro dos evangelistas e a escadaria com cerca de 300 metros e 20 capelas, com cenas da vida de Cristo. A Festa da Senhora da Peneda é anual, tem a duração de uma semana, entre dia 31 de Agosto e oito de Setembro.  Lenda da Peneda A Senhora da Peneda terá aparecido a cinco de Agosto de 1220, a uma criança que guardava algumas cabras, a Senhora apareceu-lhe sob a forma de uma pomba branca e disse-lhe para pedir aos habitantes da Gavieira, para edificarem naquele lugar uma ermida. A pastorinha contou aos seus pais, mas estes não deram crédito à história. No dia seguinte quando guardava as cabras no mesmo local, a Senhora voltou a aparecer, mas sob a forma da imagem que hoje existe, e mandou a criança ir ao lugar de Roussas, pedir para trazerem uma mulher entrevada há dezoito anos, de nome, Domingas Gregório, que ao chegar perto da imagem recuperou a saúde.

Texto retirado de Santuário de Nossa Senhora da Peneda.

"Parques naturais: vigilantes pedem mais meios"


Notícia do PÚBLICO...

A associação dos vigilantes da natureza voltou nesta terça-feira a alertar para a falta de pessoal nos parques naturais e a defender campanhas de sensibilização para turistas, enquanto o Governo garante que, até Julho, haverá mais 20 profissionais.

Fotografia: Nuno Oliveira

Explorando o volfrâmio no subsolo do Salto do Lobo


Com a exploração mineira a ter inicialmente uma maior intensidade à superfície em 1941 e 1942, o filão começa a ser explorado em profundidade durante 1943 na área da concessão do Salto do Lobo. 

Os trabalhos tiveram especial ênfase no seguimento dos afloramentos do filão com os trabalhos de preparação a entrar com galerias que iriam delimitar no futuro os diferentes pisos da mina. Segundo o “Relatório dos Trabalhos Executados até 31 de Dezembro de 1943” elaborado a 2 de Janeiro de 1944, as galerias iniciais (n.º 1 e 2) delimitariam um dos primeiros pisos, enquanto que a galeria n.º 4 iria delimitar o piso à cota dos 1.400 metros. Por outro lado, o poço n.º 1 iria permitir reconhecer o jazigo em profundidade até aos 25 metros, altura em que se procedeu à abertura de duas galerias na direcção do filão para Norte e para Sul, delimitando assim outro piso. Nesta fase, a galeria n.º 1 tinha cerca de 10 metros de comprimento, a galeria n.º 2 tinha 8 metros de comprimentos, a galeria n.º 4 tinha 41 metros de comprimento e o poço n.º 1 uma profundidade de 6,50 metros. Para se proceder ao escoamento de toda a água e para se obter uma ventilação suficiente para os trabalhos que eram servidos pelo poço, procedeu-se à abertura de uma travessa (travessa n.º 1) que cortaria o filão a 20 metros de profundidade. Esta travessa tinha um comprimento de 27 metros em finais de 1943. Neste ano descobriu-se um novo filão a que chamariam ‘O Filão do Paulino’, mais tarde simplesmente ‘Filão Paulino’. Para a exploração deste filão começaram a abrir uma galeria à cota de 1.395 metros, dando origem à galeria n.º 3 que tinha um comprimento de 18 metros a 31 de Dezembro. Na imagem em cima, o esquema que mostra a abertura de uma galeria à cota de 1.395 metros e que daria origem à galeria 3.

Nesta altura, e devido às características do terreno, não existia entivação das galerias nas quais o material era deslocado (tal como no exterior) em vagonetas assentes em linha Decauville. A perfuração era feita utilizando ar comprimido. O poço n.º 1 estava localizado a meio do perfil longitudinal do jazigo, sendo um poço vertical de secção rectangular de 3,20 por 1,80 metros. No poço a entivação era feita por quadros de madeira e era composto por três compartimentos, sendo um de escadas e acessórios e dois de extracção. No interior das galerias encontravam-se escadas posicionadas paralelamente de 3 em 3 metros e com uma inclinação de 70º. No interior existia um sistema de tubagens de ar comprimido para saída de água do poço e dos escapes de gases da bomba de extracção de água no compartimento de baixada. O equipamento exterior era composto por um sarilho de madeira que era armado com um cabo de aço e duas cubas com uma capacidade de 50 litros cada. O equipamento era munido com um sistema de segurança.

Os trabalhos de extracção exteriores concentravam-se na exploração dos aluviões que era feito pelos denominados apanhistas no aluvião da Lama Pequena. Segundo Manuel Lage, “o minério era retirado de buracos a céu aberto e depois de colocado em sacos, estes eram transportados para um local de lavagem que era feito por mulheres que utilizavam gamelas para limpar o minério. Só mais tarde construíram a lavaria que depois passou a separadora.”

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXVIII) - Paisagem mineira dos Carris


As cicatrizes da mineração do volfrâmio nas Minas dos carris são marcas que ainda irão perdurar por muitos anos na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Erótica dança das sombras


Sinto o vento frio no rosto, corta-me a alma... decompõe o ser...
Duas almas que se cruzam na longínqua distância.
Duas almas que choram a dor da mágoa.
Uma chuva eterna turva-me a realidade...
Viajar na brisa suave do final da tarde... abraçar a noite, eterna.
Escutar a elegia da montanha, esconder as lágrimas com que alimento os rios...
Fecho os olhos e vejo-me cair num poço sem fundo... povoado de gritos e lamentos...
Escuto os ecos do choro há muito esquecido.
Por entre a neblina ver-te-ei chegar adornada pelos deuses da neve e do frio...
Como é bela a face da noite, o sabor da tua pele... o toque do teu sangue...
Um fogo que arde nos olhos do anjo caído...
Toleramos a dor pelo prazer, buscamos o prazer pela dor...
Uma vigília eterna, vivemos apartados por um oceano de lágrimas tão grande como a eternidade do próprio tempo...
Sonhamos para além das belezas do mundo como que banhados num glorioso transe por onde o silêncio se move com cada animal.
Choramos o amor perdido, secretamente desejamos o prazer... secretamente escondemos o amor...
No meu último suspiro procuro o teu beijo, sentir o teu abraço...
No horizonte onde todos os caminhos se cruzam espero por ti...
O Inverno do meu ser... lamento as memórias dos tempos perdidos...
Um anoitecer nos sonhos, o leve véu da noite caiu sobre mim...
Durmo nos braços de Atégina, deusa infernal...
O Sol já se pôs... escuto o uivo do lobo à Lua que se ergue...
A dança erótica em torno da fogueira onde vejo a beleza a morrer...
Vejo o teu rosto nas sombras que dançam...
Descanso sobre a mortalha da noite.

____

Originalmente publicado como "...sombras que dançam" a 10 de Abril de 2009

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 21 de maio de 2017

250... "Bom, bom... é conseguir amar!"


Minas dos Carris, 20 de Maio de 2017

Com o blogue a ser iniciado por altura da 100ª caminhada às Minas dos Carris, não é que a 250ª visita viesse a merecer uma referência especial. No entanto, e em termos pessoais, não deixa de ser um evento de destaque nesta longa demanda de conhecer a Serra do Gerês.

Perguntarão o que se pode aprender ao fim de tanta caminhada ao mesmo local. Bom, a verdade é que mesmo ao fim de percorrer já milhares de quilómetros por aquelas paragens, há sempre algo de novo a descobrir, quanto mais não seja dentro de nós próprios e isso, por si só, basta!

A caminhada foi feita pelo percurso clássico do Vale do Alto Homem. Se a jornada de ida é sempre reconfortante, já o regresso acaba por ser algo de penoso perante o estado miserável do caminho. Porém, a passagem da Fonte da Abilheirinha, a chegada à Água da Pala ou o vislumbre dos alcantilados graníticos da Bela Ruiva, são sempre paisagens que vale a pena recordar uma e outra vez, em diferentes alturas do ano. Bem como a Corga do Cagarouço ou a imensidão do Modorno já com a Água da Laje do Sino à vista despenhando-se sobre o Rio Homem. É aqui que temos a magnífica paisagem sobre o Vale do Alto Homem com a Serra Amarela a compor, lá ao fundo, um quadro de beleza única em todo o Parque Nacional. Segue-se a passagem pelo Teixo e a chegada às Águas Chocas e Abrótegas, antes de entrarmos na subida final pela Corga da Carvoeirinha. Desta vez, seguimos pelo Salto do Lobo para ter a vista privilegiada da Lavaria Nova no topo da Corga de Lamalonga.

Alguém disse então, "Que bom sentirmos o coração a bater depois de uma jornada destas!", ao que alguém retorquiu "Que bom conseguirmos respirar!" e eu rematei ao dizer "Bom, bom... é conseguirmos amar!" A jornada aos Carris é isto mesmo... em momentos de silêncio como o que se seguiu, conseguirmos compreender o porquê de lá irmos assim tantas vezes.






























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXVII) - Minas dos Carris


É difícil descrever emoções mesmo numa língua tão rica como a nossa. Da mesma forma, a fotografia que imortaliza momentos, faz-nos viajar por cenários fantásticos e de fantasia, como as Minas dos Carris, Serra do Gerês.

Debato-me neste limbo, nesta neblina que me envolve na fronteira entre a realidade e o mundo dos sonhos. Sombras que rastejam pelas paredes sombrias do quarto silencioso enquanto um ensurdecedor pensamento invade todo o ser que corre na planície perante o trono de Morfeu. Caio de joelhos, cansado e com o suor quente que me percorre a pele. O corpo dorido como no final de um esforço ao arrastar um bloco de granito por uma estrada que se perde e esvanece pelo horizonte que se havia tornado rubro de tons púrpura. E de repente, ao abrir os olhos ardentes do sal que escorria pela testa, encontro-me num velho quarto tenuemente iluminado pela luz tremeluzente filtrada nas velhas cortinas de seda que mortalham as janela em forma de antigos quadros góticos. Ao canto, como que ainda mais escondido da penumbra, jaz algo que não consigo descrever pela turvidez do sonho. Antigos livros gastos pelo tempo e amarelecidos pela memoria dos dias, completam abauladas prateleiras com o peso dos anos. Transformam-se em pó ao leve toque. Pelo canto do olho perde-se a definição do que vejo...é a parte do sonho que me está proibida.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A Serra do Gerês no facebook (II) - "O Gerês"


O facebook, como rede social, permitiu uma divulgação sem precedentes dos encantos e maravilhas do nosso único Parque Nacional, muitas vezes confundido somente com a Serra do Gerês.

Nesta rede social podemos encontrar três páginas ou comunidades que de forma particular divulgam o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Esta série de três publicações tem por objectivo divulgar essas páginas ou comunidades e assim, por essa forma, divulgar o PNPG.

Hoje, a comunidade 'O Gerês' nas palavras de um dos seus fundadores, Júlio Marquez...

Dia 23 de Maio nasceu o meu projecto, criado por dois adeptos geresianos e do mundo da Montanha. Por diversas vezes já me questionaram sobre o porquê de ter escolhido um nome tão específico e não tão abrangente? Para a população global “O Gerês” é visto como um todo, não como a Serra do Gerês, mas como todos os locais que envolvem o Parque.

Diriam neste momento os acérrimos que estamos a cometer uma gafe contextual, no entanto, e visto que seguimos muitas vezes as vontades não apenas das populações, mas também dos visitantes, poucos são os que realmente se importam com tal relevância, embora por vezes possa gerar algumas conversas de café sobre o tema, o que continuamos a achar legítimo, pois a serra Amarela, a serra do Soajo e a serra da Peneda devem ter a sua identidade. Mas porque apenas então Parque Nacional da Peneda-Gerês e não Parque Nacional da Amarela-Gerês-Peneda-Soajo? Enfim, provavelmente na hora de decidir deverá ter prevalecido a racionalidade do espaço, e assim a escolha foi mesmo por aí, o Gerês como um todo, e de fácil identidade, não desmistificando cada uma das quatro Serras do Parque.

Para muitos, mais uma página com um design apelativo, com fotografias bonitas sobre o Parque Nacional, quanto à realidade, bem diferente do que possam conjeturar, o projecto contempla uma versão forte a nível de imagem, é uma realidade, fotografias dos chamados quatro cantos do Gerês colocados a nu na minha página do Facebook, na maior parte das vezes com descritivos dos locais, sem qualquer tipo de referência de GPS, embora nos incitam cada vez mais a tornamos públicas essas coordenadas, algo que nunca irá suceder, não apenas por respeito ao próprio Parque Nacional, mas por respeito ás populações envolventes ao Parque, aos serviços de emergência médica e essencialmente à população que pode tentar, e sem os meios necessários procurar algumas destes locais de árduo acesso. Na descrição que normalmente deixamos vem o nome do local e muitas das vezes uma explicação sobre a fauna e sobre a flora do Parque. A minha comunidade nasceu um pouco para isso, e quem somos é essa decisão intrínseca, mostrar os locais remotos que têm um nome, uma identidade, juntar com os que o público em geral já conhecem, e através de texto povoar o mapa do Parque Nacional que realmente poucos conhecem, ou sequer têm uma noção da sua vasta área, dar a conhecer o nome das suas desconhecidas montanhas, das suas anónimas fechas e poços ou lagoas e cascatas, como lhe queiram chamar.

O suporte social do Facebook é um abrir de portas, criar uma comunidade como a que criei dá imensa satisfação pessoal, os surpreendentes resultados que obtive num crescimento desmesurado nos seus inícios, e focado em algo mais transcendente, muito mais além da publicação de fotografias a cru e dos seus locais. Este momento inicial foi ultrapassado, e a vontade é continuar o trabalho que realizei no Facebook na nossa página oficial www.ogeres.pt e actualmente no Instagram, plataforma que confesso, estou a admirar imenso devido à qualidade e versatilidade da rede social. O website será especializado em dar a conhecer o Parque Nacional da Peneda Gerês, desenhado com um layout de suporte à própria página do Facebook onde detalharei muito mais do que simples fotografia. Quero incidir em estudos do Parque, quero prevenir quedas e sujidade dos espaços no Verão, evitar os incêndios, pressionar para evitar a caça furtiva, pressionar os organismos estatais com os meios que teremos para fortificar o nosso património natural. Ajudar as populações, criar projectos que visem melhorar o turismo qualitativamente e dividir quantitativamente de forma a que todos possam usufruir dele e que não seja exaustivo para algumas regiões como o é e inexistente para outras que se prepararam igualmente para o receber.

O futuro da comunidade O Gerês é ainda uma incógnita, arrancamos a dois um projecto com a colaboração de imensas pessoas e cada qual com uma característica como hobby e paixão.

Resumindo, o Gerês é um barco neste momento em remodelação e reestruturação com a mesma vontade, mas a só uma direcção. Ganhei com esta comunidade O Gerês uma grande lição de vida, fiz e conheci locais incríveis, no início confesso que queria chegar ao maior número de pessoas, hoje o objetivo é ter uma página que chegue sim a quem se interessa com o Parque Nacional como ele é e que o deseja protegido e não massificado ao ponto de o destruir. As filosofias mudam e vamos crescendo à medida que vamos vivenciando mais Gerês.