domingo, 21 de janeiro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CXCIII) - A cabra


Vigilante das alturas, a sempre presente cabra selvagem vista desde a passagem do Modorno, Serra da Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Reflexo


Um reflexo de mim
Como uma penumbra na montanha
Para lá das sombras, espalha-se algo de saudade...
...um restolhar do ser.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (21 a 29 de Janeiro)


Possibilidade de queda de neve a 25 e 26 de Janeiro.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Casa Abrigo do Académico F. Clube - apenas mais uma ruína


Não sei como descrever aquilo que senti ao ver o estado em que chegou a antiga Casa Abrigo do Académico F. Clube que existe (resiste) na Mata de Albergaria, Serra do Gerês.

No fundo já nem vou responsabilizar o Parque Nacional da Peneda-Gerês, e por consequência o Estado Português, pelo estado tristemente miserável a que este edifício chegou. É simplesmente deplorável que decisões passadas levem a este resultado. Não me espanta, é apenas o reflexo daquilo que somos como país e como sociedade... sem consciência histórica e patrimonial.

Somos todos responsáveis, de uma forma ou de outra... Somos responsáveis por algures pelo caminho termos deixado de nos interessar (ou será que alguma vez nos interessamos) por situações como esta. Somos responsáveis por não exigir mais, somos responsáveis porque nos cansamos de apontar o dedo e de gritar bem alto que não queremos pessoas que tomem decisões que levem a este resultado. Somos responsáveis por não tomarmos as rédeas e resolvermos nós estes problemas! Devemos exigir a excelência de quem nos governa e de quem toma decisões - ficamos contentes por sermos governados por medíocres e assim assumir que também o somos...

Assim, e como as imagens mostram, a Casa Abrigo do Académico F. Clube é apenas mais uma ruína no meio de uma paisagem arruinada...








Recordo aqui um texto escrito em Março de 2014, mas que não deixa de se aplicar como uma luva à situação em questão... A tomada popular das Casas Florestais - um imperativo.

Quem não estuda a História corre o sério risco de a ver repetir-se. Se analisarmos em larga escala os sinais que nos nossos dias nos espreitam através dos recantos obscuros dos media controlados, veremos que os sinais estão todos aí.

Recentemente, o Governo apresentou na Assembleia da República uma proposta de lei que visa transformar os baldios em bens privados, eliminando assim os últimos resquícios de comunitarismo que estas parcelas comunitárias de natureza colectiva representam.

Este é mais um passo na destruição do usufruto popular dos nossos meios rurais e florestais. E isto não se aplica somente às populações locais, pois o ataque surge em larga escala ao limitar o nosso acesso a muitas áreas protegidas.

Em consequência deste longo ataque, as nossas florestas transformam-se em espaços desorganizados e vítimas fáceis dos vorazes fogos estivais com a sua consequente transformação em zonas de plantação de eucalipto tão celeremente aprovada pelo actual Governo.

Uma outra consequência destas políticas foi o abandono das Casas Florestais e dos espaços abrangentes. A extinção da figura do Guarda Florestal, verdadeiro zelador da floresta, abriu a porta à desordem da floresta e posteriormente ao abandono e vandalismo de um património que hoje se vai degradando a cada dia.

Em termos patrimoniais, o abandono das Casas Florestais constitui um crime perpetrado aos olhos de todos pelo Estado! Assim, é urgente que se tomem medidas para evitar esta degradação e recuperar este património, transformando-o numa mais valia para as populações locais.

Assim, e na ausência de uma atitude por parte da tutela que resolva esta situação, é um imperativo que haja uma tomada deste património por parte das populações que se devem unir e reclamar a posse destes edifícios. Devem-se constituir comissões populares que discutam entre todos o melhor destino a dar cada edifício, evitando assim a sua perda e com ele podendo retirar o proveito através do qual possam melhorar a sua vida!

A tomada popular das Casas Florestais é um imperativo, um passo na recuperação das nossas florestas e espaços rurais!

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CXCII) - Pilar solar desde Fafião


Um Pilar Solar visto a 19 de Janeiro de 2018 desde Fafião, Serra do Gerês.

Um Pilar Solar é uma coluna de luz numa extensão vertical, normalmente fino, com a mesma largura do diâmetro do sol ou ligeiramente maior. 

O fenómeno é produzido por cristais de gelo que se formam na alta atmosfera. Ao caírem, têm sua face posterior aplainada pela resistência do ar, permitindo que a luz do Sol vinda de baixo seja reflectida em direcção ao solo. O resultado é a formação de uma gigantesca coluna de luz que pode medir entre 5 e 10 graus angulares, o equivalente entre 10 e 20 vezes o tamanho visual do disco solar.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Citação


Se um homem anda metade do dia na floresta, por amor a ela, corre o risco de ser considerado um vagabundo. Mas se passa os seus dias como especulador, abatendo árvores e tornando a terra estéril antes do tempo, ele é considerado um cidadão trabalhador e empreendedor. 

Henry David Thoreau

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Histórias do povo de Cabril, seus usos e costumes. O que eram vezeireiros e o responso de Sto. António para coisas perdidas e em perigo


As várias aldeias de Cabril, nasceram e cresceram encravadas entre pedras e fragas na serra do Gerês, com pequenos núcleos habitacionais encostados à montanha, e que fizeram destes povos um verdadeiro paradigma da sobrevivência desde tempos muito remotos. Estas populações tinham na agro-pecuaria a actividade dominante, uma agricultura de minifúndio que era completada com a pastorícia, os animais eram muito importantes. Durante os rigorosos Invernos dormiam por baixo das habitações e eram pastoreados pelos montes paroquiais de cada aldeia e formando a mesma as suas próprias vezeiras. 

Quando chegava o tempo ameno e o mês de Abril, era a altura em que as várias vezeiras começavam a subir a serra. 



A serra era fundamental aos povos que a escolheram para viver, e o povo quase fazia uma migração para a alta serra, uns para fazer o carvão e outros no volfrâmio. Havia ainda aqueles que arriscavam a vida no contrabando e na passagem de homens para a clandestinidade. Tudo vidas difíceis e muitas das vezes a roçar a miséria, por isso a serra e a montanha sempre esteve enraizada no coração destes povos, para o bem e para o mal era da serra que vinha a sobrevivência, era onde se ganhava algum dinheiro, de onde se cultivava o centeio, onde se buscava o pasto para os animais. ~

Em Abril subiam as vezeiras das cabras, no primeiro dia do mês de Maio era a vez da subida da vezeira das vacas. A subida dos bois só ocorria no fim do mês de Maio, tinham de ficar na aldeia, tinham que carrar o esterco para os lameiros, tinham de lavrar e engradar, era na altura em que eram feitas as grandes bessadas que chegavam a ter mais de 20 pessoas de enchada na mão, por isso a serra dos bois era diferente, era a serra alta que começava a partir da cigarra. tanto a vezeira dos bois como a das vacas tinha o seu próprio vezeireiro que acompanhava e tomava conta deles até ao fim do mês de Setembro eram cinco meses a viver na serra, a dormir nas cabanas e a olhar pelos animais, só regressava a aldeia no dia 29 de Setembro, a partir desta data os animais deixavam de estar guardados e a responsabilidade do vezeireiro para com eles terminava. 


Era nesta altura em que alguns dos donos dos animais optavam por deixar ficar o gado mais quinze dias na serra e criavam os vezeiralhos, que eram pequenos núcleos de animais que ficavam para traz e que eram guardados a vez pelos seus donos. Nestas alturas também havia uma maior dispersão dos animais e alguns chegavam-se a perder. O não saber ou perder um animal na serra era sempre encarado como uma preocupação, pois os lobos não andavam a dormir. Muitos recorriam às pessoas mais velhas e respeitadas da aldeia para lhe rezar o responso das coisas perdidas. O religioso e o profano esteve sempre presente nestes povos. O responso era rezado de noite e sem o mínimo barulho para não se enganar, e sempre virado em direcção a igreja e o responso dito era este:

Santo António se levantou 
Se vestiu e se calçou,
Seus pés e suas mãos lavou,
E para o paraíso caminhou, 
O senhor encontrou, 
Que lhe perguntou :
Onde vais tu antonio?
-senhor convosco vou.
-tu comigo não irás, 
Tu no mundo ficarás, 
O vivo guardarás, 
E O perdido encontrarás 
Pelo hábito que vestiste, 
Pelo cordão que cingiste, 
Pelo livro que abriste, 
Assim como tiraste o teu pai da sentença falsa
Livrai (aqui diz-se o que se quer responsar) da má sorte,da morte, de lobos e lobas, raposos e raposas e dos males do mundo 
Pela honra e glória da virgem Maria um pai nosso e uma avé Maria 

Era rezado de joelhos e em silêncio, se quem diz o responso não se enganar o animal não corre perigo, se se enganar, há perigo e é necessário ir logo procurar o animal antes que algo lhe suceda.

Texto de Ulisses Pereira

Fotografias © Ulisses Pereira (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CXC) - Antena do Borrageiro (II)


A antena do Borrageiro e a Serra do Gerês em dia de neve.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXIX) - Antena do Borrageiro (I)


A antena do Borrageiro e a Serra do Gerês em dia de neve.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (17 a 25 de Janeiro)


Previsão de chuva fraca nos próximos dias para as Minas dos Carris.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Geologia do maciço da Serra do Gerês e o jazigo filoniano dos Carris


Os caprichos da tectónica de placas fizeram com que no início do Carbonífero, há cerca de 350 milhões de anos (Ma), a Europa Ocidental se situasse numa zona de colisão de duas enormes massas continentais, a Gondwana (a Sul) e a Laurrússia (a Norte). Esse acontecimento gerou aquilo que hoje é conhecido como orogeno Varisco (também dito Hercínico), uma antiga cordilheira montanhosa, hoje totalmente irreconhecível do ponto de vista geomorfológico. A fase de colisão do orogeno, responsável por um aumento do espessamento da crusta na região, ficou registada nas rochas através de estruturas dúcteis geradas em diferentes fases de deformação (D1, D2 e D3). Posteriormente, o orogeno entrou em descompressão, exumação e adelgaçamento crustal, ficando sujeito a um regime de deformação frágil. Foi nessa altura que foram gerados, em profundidade, os granitos do maciço Peneda-Gerês, cristalizados a partir de um magma oriundo do manto terrestre, com forte contaminação de material da crusta (Neiva, 1993; Mendes e Dias, 2004). 

O maciço granítico da Serra do Gerês ocupa uma área de cerca de 40 x 20 km (repartida por Espanha e Portugal), e de acordo com Mendes e Dias (2004) compreende seis fácies de granitos de cor clara, com não mais do que 10,5 % de minerais escuros, das quais duas ocorrem na área dos Carris. A de maior representatividade é um granito de grão médio a grosseiro, porfiróide, biotítico e de tonalidade rosa claro, que foi datado por Mendes (2001) pelo método do U-Pb em 296 ± 2 Ma, sendo conhecido como granito do Gerês. A outra fácies, denominada granito dos Carris, é de grão fino, biotítica e levemente porfiróide, tendo sido datada por Dias et al. (1998) em 280 ± 5 Ma; ocupa uma área inferior a 5 % da área do granito de Gerês. O maciço é bordejado por um complexo granítico-migmatítico e por granitos, ambos síncronos com D3 (~310-320 Ma), por granitos instalados tardiamente em relação a D3 e por metassedimentos (xistos) de idade Silúrica.

Trata-se de um jazigo de quartzo intragranítico circunscrito a duas zonas deformadas (corredores de cisalhamento) verticais, de direcção aproximadamente N-S, separados 200 m. O de maior extensão, denominado na gíria mineira, filão Salto do Lobo, tem cerca de 1500 m de comprimento; o outro, denominado filão Paulino, tem cerca de 600 m. Cada um destes alinhamentos tem uma espessura média de 1-2 m e é composto por um conjunto de estreitos filões de quartzo, normalmente 6 a 8, preenchidos com quatro minerais com interesse económico, volframite [quimicamente (Fe,Mn)WO4, sendo o mineral mais abundante], scheelite (CaWO4), molibdenite (MoS2) e cassiterite (SnO2). O estudo metalogenético do jazigo foi encetado recentemente (Moura et al, 2011; Neiva et al, 2012, Moura et al., 2013) num estudo multidisciplinar centrado na geoquímica dos minerais, no estudo das inclusões fluidas e em métodos isotópicos (Re-Os para as datações e He-Ar para a proveniência do fluido mineralizante). Os autores identificaram outros 30 minerais no jazigo, dos quais se destacam a pirite e o berilo. A mineralização terá sido formada há cerca de 280 Ma precipitando a cerca de 7 km da superfície a partir de fluidos (H2O+Na++Cl-±CO2±N2) mineralizados a temperaturas de 350-270 ºC de diferente proveniência. A volframite e a cassiterite, depositadas inicialmente, terão resultado de W e de Sn de origem magmática-hidrotermal. Mais tarde terá havido a percolação de fluidos oriundos da superfície, responsáveis pela deposição de scheelite e dos sulfuretos. Tal como o magma que originou os granitos do Gerês também parte do fluido hidrotermal terá tido uma componente oriunda do manto terrestre.

Imagem: Secção da Carta Geológica do Parque Nacional da Peneda-Gerês onde são assinaladas as principais ocorrências de volfrâmio e molibdénio na Serra do Gerês (Fonte: Carta Geológica do Parque Nacional da Peneda-Gerês)

Texto adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013)

Caracterização da área das Minas dos Carris – a Serra do Gerês


Situadas no concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, as Minas dos Carris encontram-se junto à fronteira Galega em plena Serra do Gerês dentro dos limites administrativos do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) que foi criado pelo Decreto-Lei n.º 187/11 de 8 de Maio baseado no então regime de protecção da Natureza que havia sido estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 9/70 de 19 de Junho. O PNPG foi uma das primeiras áreas protegidas em Portugal e até aos nossos dias mantém-se a única com o estatuto de Parque Nacional.

A Serra do Gerês está situada entre o Rio Homem e o Rio Cávado, constituindo uma cadeia granítica que se estende de nordeste para sudoeste, numa extensão de 35 quilómetros, entre a Fonte Fria e o Rio Caldo, atingindo os 1545 metros de altitude no Pico da Nevosa.

Há vestígios de características geomorfológicas de origem glaciar de baixa altitude, como blocos erráticos, moreias e pequenos circos glaciários (Lago Marinho e Couce). Tanto a flora como a fauna desta região são consideradas das mais ricas de Portugal. No Gerês, a vegetação está escalonada por três zonas de altitude: na primeira, até 1200 metros, predominam os castanheiros, azevinhos, medronheiros e pilriteiros; na segunda, de 1200 a 1400 metros, os teixos, vidoeiros e pinheiros nórdicos; na terceira, acima de 1400 metros, as árvores dão lugar a pequenos arbustos e ao zimbro que cobrem os cumes. Nesta serra abundam os jacintos, narcisos e os lírios. Ocasionalmente, aparecem planaltos com vegetação herbácea onde, de Maio a Setembro, pastam as vezeiras.

Texto adaptado de “Serra do Gerês” in Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXVIII) - Rio Homem


O Rio Homem, Serra do Gerês, em tons de fúria.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (16 a 24 de Janeiro)


A neve poderá voltar às Minas dos Carris a 19 e 20 de Janeiro.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Um outro olhar (LXXXII)


O Álvaro Rego Pinto visitou as Minas dos Carris a 6 de Janeiro de 2018 e teve a amabilidade de me ceder estas fotografias desta sua visita neste dia frio.

Se visitar as Minas dos Carris, envie as suas fotografias para assim se constituir uma base cronológica das ruínas nos píncaros serranos do Gerês.

Um agradecimento ao Álvaro pelo envio das fotos.










Fotografias © Álvaro Rego Pinto (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (13 a 21 de Janeiro)


Dias de neve e chuva, com abertas na próxima semana.

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXVII) - Roca Negra em tons de Inverno


A Roca Negra, Serra do Gerês, parece surgir pequena nesta paisagem de Inverno onde o tempo pára e o silêncio preenche os espaços.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXVI) - Marco geodésico do Borrageiro


Os elementos são inclementes com o marco geodésico do Borrageiro, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Trilhos seculares - De Leonte ao Borrageiro numa jornada invernal


Com o dia a começar mais tarde do que normal, pois o corpo pedia um descanso extra, decidi fazer a minha primeira jornada na Serra do Gerês em 2018 com uma caminhada entre a Portela de Leonte e o ponto mais alto do Minho, o Borrageiro.

Os caminhos já eram conhecidos, mas a perspectiva das paisagens de neve, tornam sempre estes lugares como algo de novo perante o nosso olhar. E a nave chegou já acima da Preza, mascarando a paisagem a partir da Chã da Fonte.

Tomando o velho e secular carreiro com a velha calçada serra acima, vai-se ganhando altitude, paisagem e largos horizontes à medida que o Pé de Cabril se afunda atrás de nós. O Gerês vai enchendo os pulmões e flectindo os seus músculos quando o céu se torna enorme em acima de nós. Livramo-nos do vale e ganhamos a imensidão ao passar a Chã do Carvalho. Logo acima, uma paragem já nos oferece o horizonte até Anamão, Serra da Peneda, os altos do Soajo e a largura da Serra Amarela salpicada de neve na Louriça.

A chegada ao Vidoal deixa o olhar percorrer as alturas do Pé de Medela e os detalhes realçados pela neve em Carris de Maceira. Com o céu de tons plumbeos, as vertentes dos Cântaros tornam-se quase fantasmagóricas, bem como os alcantilados de Lavadouros; ao fundo, a ribeira de mesmo nome corre, sonoramente. Para os lados do Borrageiro, a neve já domina a paisagem enquadrada pelo Outeiro Moço. Continuo o carreiro que o ladeará e que me leva à Preza, para o vislumbre do Vale de Teixeira e de um céu que varia do cinza para o rubor da luz do Sol reflectida pelas nuvens.




A partir daqui a neve salpica a paisagem e vai-se tornar mais constante à medida que me aproximo da Chã da Fonte. O caminhar torna-se mais cuidadoso, pois para além da neve, o gelo torna-se traiçoeiro e à espera do menor descuido. Passando a Chã da Fonte, viro para o elegante Arco do Borrageiro, ex-líbris por excelência do Gerez Thermal.

Daqui até ao alto do Borrageiro, a caminhada foi feita por entre paisagens carregadas de neve, nuvens que cobriam e descobriam a paisagem, e envolto num silêncio que só um dia de Inverno nos pode oferecer. Chegado ao alto a paisagem era imensa e a Serra do Gerês cobria-se de neve até aos domínios da Nevosa. 

Continuei em direcção à Lomba de Pau, fazendo um pequeno desvio para ver a Roca Negra e a Rocalva. O silêncio envolvia-me como um manto profundo e a paisagem tornava-se num quadro de tons de cinza com a nuvens a baixarem e a esconderem os píncaros serranos. Era um dia de lobo que se instalava naquelas paragens...

O regresso foi feito passando pela Chã da Gralheira e de novo pela Preza e pelo Vidoal.

Ficam algumas fotografias do dia e o restate pode ser visto aqui.


























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)